quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Paternal

 
Aquela forte figura
De imensa altura
Parecendo um arranha-céu

Sempre o vi desta maneira
grande, forte, onipotente
ele é o significado de repente
da minha vida por inteira
sempre o terei dentro de mim

em minhas lembranças não terás fim

Com tanta força e fragilidade
tão digno e de extremo caráter
tão forte pela metade
Sua fraqueza é o amor
Que sente por mim
E que o leva a fazer de tudo
pela minha felicidade sem fim

Justo, honrado e sincero
para te dizer isso
ninguém melhor do que eu
Ele para mim não tem mistérios
É eternamente o melhor amigo meu
Homem, humilde de extrema bondade
É o meu pai, amado
nele não vejo nenhuma maldade
meu eterno protetor
outro igual não existe
Sempre o admirarei
E a ele dedicarei o meu amor.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Irrealidade

 
No instante em que meus olhos se fecharam
fico incrivelmente sem entender
o significado com clareza
da razão daquilo que se ver.

Vejo árvores escuras
com negras folhas prendidas
Envolvidas pela triste e assombrosa escuridão

Vejo de repente um velho a sorrir-me
de dentes brancos e alma branca... a brilhar
de mãos estendidas em minha direção

Sua alma resplandece, bela e pura
trasparente, sem nenhuma obscura intenção
olhos pérolas ofucantes...
Ele é a única luz na escuridão

Vejo sair do seu peito alaranjado
uma imensa bola
que se desfaz em muitos raios
de cores múltiplas pelas suas mãos

Sorri então, parecendo nem tão pouco sentir
a grande névoa que passava por ali
Ele continua se  movendo lentamente
Seus olhos fixos em mim

Subitamente ele joga seus raios
que acabam por me atingir aos poucos
tenho medo daquilo tudo
vacilo e tremo, tento correr

Mas paraliso, não consigo me mover
E a imensa luz me faz perder os sentidos
E de puro encantamento
inundo-me na felicidade sem tormentos

E como se não houvesse dúvidas
volto a mim... já não consigo sentir
motivo algum para ter medo...
liberando as tensões reprimidas

Saio a flutuar por toda aquela imensidão
vendo com meus olhos fechados
e real, apenas em minha imaginação.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cargas

 
Carrego um fardo de peso incalculável
Lembranças não tão doces
Nem tão fáceis de serem lembradas
Cargas de momentos passados
Mas que ressurgem das sombras
Sempre em que fogem os sentidos

Reviravoltas de emoções
Caminhos desviados de sua rota
Passos que não foram dados
Sonhos sugados pelo buraco negro da desilusão
Não totalmente destruídos
Mas nunca torna-se-ao vívidos

Sentimentos que ficaram opacos
Sem o brilho do entusiasmo
Não há como suavizar o peso
Os espinhos fincaram fundo
Os destroços acumularam num segundo
De um coração tão limpo
Restou apenas manchas do desprezo

Não há como recomeçar o acabado
Achar o que já foi perdido
Ficar ao mesmo tempo
No elevado céu e plano chão
Encontrar aquela  conhecida luz
Que iluminava a mais devastadora escuridão
Mas é possível dar uma pausa
Nos desprendidos suspiros
E quem sabe até...
Resgatar um pouco a fé...
E aos poucos retomar a leveza do meu coração.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Raridade


É raro lhe vê assim
De olhos fixos em mim
Sorrindo tão meigo e sincero
Parecendo querer o que eu quero

Sempre será assim
Que existirás para mim?
A verdade de um ser tão belo?
Sem aquele infernal mistério?

Sem dúvidas caladas
Sem respostas enigmáticas
Só existirá este momento
De puro contentamento?

De raridade raríssima
De verdade única sentida
De gestos claros e simples
E palavras totalmente ditas.

Apenas escrevo

 
Sou poeta...
Escrevo o que sinto
O que vejo
Oque penso
O que ouço
O que respiro
O que amo

Apenas escrevo...

O que queria
O que quero
Daquilo que vivi e vivo
O sonho uno à dura realidade
Vidas transformadas
Lugares além
Fugídia compreensão
Desejos insondáveis

Em letras
Em folhas
Ficam escritas
Toda trajetória
Transcorrida...

Um anjo

 
Numa esquina da vida
De olhos úmidos e puros
Um anjo chora baixinho
Ao lado de um imenso muro

Os lábios trêmulos e pequeninos
De um pobre anjo insatisfeito
Com uma ferida doendo
A se espalhar em seu peito

Pequenino, por que choras?
De fome, de frio, de sede?
Ou pela simples falta de uma rede?

Acalento-te em meu coração
Ninando-o imaginariamente
Fazendo-o parar o choro...

Será que isso é um consolo?

O anjo não passa de mais uma criança
De triste e insignificante vida
Mas que respira como nós...

Pobre criança não foi querida.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Âmago de um ser Ill

 



Inconscientemente respirei...
E te senti como se não houvesse exclusividade alguma.
É bom sentir aquilo que sabemos que só existia numa imaginação...
Alheia a realidade da vida.
Por tanto tempo te esperei.
O que pensa eu simplesmente sinto...
Uma troca de estímulos, instintos, emoções.
Uma unidade indivisível de um ser.
Tão pequeno, mas de imensidão alarmante...
Que abrange e contagia o meu viver.
Anjo, doçura embriagante.
Alma pura, paz e socego transmite.
O traquilizante feito na medida.
Acalma-me por inteira e me conquista.
Olhar puro, único.
Expressão meiga e serena.
Nada destroi o teu fascínio.
Obra prima da criação.
Tão simples e grandioso.
Não é mais uma ilusão.
Misterioso enigma de Deus.
Presença frágil e fortalecedora.
A seta que guia os caminhos meus.
Suave nuvem acolhedora.
Sou a única a te sentir.
E  a ti ter dentro de mim.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Saudações

 
Saudarei ao perdão àqueles que me tiraram o sentido
Saudarei às velhas e arcaícas fantansias
Saudarei aos sons abafados da alma
Saudarei aos encontros e desencontros da vida
Saudarei ao forte desejo de paz
Saudarei as alucinações emocionais
Saudarei ao engênuo brilho de um olhar
Saudarei aos eternos amores
Saudarei ao mistério que nunca se revelará
Saudarei aquela que fui e que ainda serei
Saudarei as perguntas insondáveis
Saudarei as vitórias que conquistei
Saudarei as dúvidas saciadas
Saudarei as escolhas acertadas
Saudarei o amor que arrebate a calma
Saudarei ao simples jesto de uma alma apaixonada

Ondas do pensamento

 
Lampejos de algo? alguém?
Por quê? Ou por quem?
Passam as horas rapidamente,
 e as ondas do meu pensamento
não conseguem acompanhar a rapidez do tempo.

Luzes de variadas cores,
ofuscam as sombras da verdade.
Aromas,  embriagantes sabores...
Toques de suaves amores.

Vidas reprimidas...
Horas descartadas...
Preces lamentadas...
Saudades provocadas...

Juras esquecidas,
promessas não cumpridas,
frases despidas,
que arrastam suas dívidas.

Passam as horas rapidamente...
A alma paraliza,
o coração sobressalta,
a mente iguala-se,
a ampulheta da vida.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A espera

 
Isolada me encontro, mas me pego a uma esperança

Fé que me torna forte
Otimismo que se fortalece
A cada vez que respiro a tua existência

Vem ao meu encontro enquanto existo
Pois um dia me acaberei
Como tudo o que existe se evapora
Na poeira do inexplicável fim

Não me faça esperar tanto
A espera é triste e enfraquece a alma
Temos pouco tempo só alguns instantes
E se não chegares me desfazerei junto as lágrimas

Se demorares a  certeza será substituída
Pela incredualidade do silencioso vazio
O brilho do olhar será inundado pelo breu da insanidade
E o sorriso destruído pela eterna amargura

Os contos de fadas serão meras histórias frias
de uma realidade profunda
O príncipe acabará em sapo
E nenhum um beijo modificará seus ares

O sonho daria lugar a razão
De um despertar constante
Mas se vieres
A espera não será vã

A tristeza será esmagada
Pelo suave contentamento
E em instantes, sem demora
A paz esmagará de vez todos os lamentos 

E a tua presença será única, essencial
Dando início a maior e  incrível
Linda história de amor
Que  nunca até hoje foi contada

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O poder de uma Palavra



Direi ainda uma palavra.
Escute! Não vá antes de ouvi-la.

Mesmo que não seja o que espera...
Mas suavizará a rispidez... suas e minhas.

Quem sabe não mude alguma coisa...
Sobressaia-se a dureza por trás de uma decisão.

Espere, não tomará tanto tempo!
Afinal é apenas uma palavra...

Às vezes essa palavra refaz o desfeito.
E às vezes soa insignificante.

Às vezes pra quem fala é tão forte e angustiante.
Em outras, causa temor e fúria a quem a ouve.

Há casos em que modifica toda uma vida.
Sendo o cicatrizante de uma dolorosa ferida.

Em outros casos, aflora esperanças esquecidas.
Ameniza a dor causada pela brutalidade momentânea.

Alguma vezes, liberta a alma, aforria os escravos da melancolia.
 Talvez possa  ser o primeiro passo, para o fim de uma insuportável agonia.

Não vá, Escute ainda...
Talvez as decisões sejam outras após ouvi-las...

Mesmo que não justifique ações...
Ou esclareça as razões das precipitações impensadas...

Mas está palavra neste instante é o espelho de uma alma.
Perdão!!! Nada mais que perdão.

Só direi isso é mais nada.

O mercado Imaginário

 
Como seria bom se existisse
Um mercado imaginário
Onde os poetas e compositores
Pudessem trocar as palavras
Que sobram da sua imaginação

Se pudéssemos trocar as rimas, as ideias
As inspirações da criação
Trocar as expressões que não nos servem

Talvez dessa forma...
Não existessem tantos versos remendados
perdidos pela noite de agora
Ou trocadilhos e enganos
Improvisos desajeitados

Um mercado imaginário...
Que trocássemos os excessos de expressões
Emoções que já cansamos de sentir
Sentimentos que já não desejamos mais viver
Trocar os desejos por aqueles que pudéssemos realçar
Ou ainda, trocar os pensamentos
Por aqueles que nunca ousamos imaginar.

Âmago de um ser Il

 


Lugar especial este, que me isola do mundo
Deixando-me tranquila... em silenciosa paz
Aqui estou, agora e sempre
Dentro da minha morada secreta
Distante de tudo e de todos
Em constante socego
Vivendo só pra mim

Não devendo nem temendo mais nada.

Nunca sairei mais daqui, onde me encontro
Sem atropelos de reações
Nenhum problema me aflinge
E a dor não chegará até aqui.

Morada, que me abriga, que me sustenta
Energiza as forças e a alma

És o consolo das minhas angústias mais íntimas
És o sentido na jornada
És a felicidade renovada
Sois eu mesma... dentro da imensidão do meu ser
Enriquecida, liberta e completamente maravilhada.