quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012



Casulo

Incrível notar
Que reluta e teima
Em se renovar
Como lagartas
Que apressadas sobem
Em árvores imensamente altas
Refugiam-se, escondem-se
Camuflam-se em meio a folhas
Caminham lentas e distraídas
Parecendo inofensivas e tolas
Mas surpreendentemente mágicas
Tão escassas, destruídas
Mas ao mesmo tempo genuínas e ricas
Se destacam entre todas as outras
O temor não se alastrou
Os sentimentos lhe engrandecem a alma
E de repletas emoções o coração se inundou
Como ostras protegidas
Se defende com escudos
Fortalecendo-se, endurecendo-se
Criando o seu próprio mundo
Distante parece a salvo
Porém não deixa de um dia
Correr riscos, se tornando alvo
De expectativas alarmantes
Suspiros e alívios
Adorada por inúmeros amantes
O casulo se abre
Bater de asas alucinam emocionam
Fundem-se em muitas cores suaves
Que hipnotizam e apaixonam
Não mais se esconde
Voam, apenas, por sobre os montes.





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012


A Busca

Busquei a ti em diversos sorrisos
Quis te encontrar em inconstantes olhares
Procurei a ti em suaves toques
Desejava-te além da vida
E finalmente te achei...
Já não parecias algo irreal
O sonho se materializava
Num único feliz ideal
Parecia tudo perfeito e sem igual
Como sempre deveria ter sido
Rio de águas cristalinas e puras
Imersos, enaltecidos
Nenhuma nuvem agora encobria o sol
Não sobrava espaços para amarguras
...............................................................
Mas um único inofensivo pensamento de tristeza
Causou um dano sobrecomum
Apagou de vez a tua presença em meu ser
E do teu calor não restou vestígio algum
Tua essência se desfez com  rapidez e destreza
Não deixando, ao menos, rastros para se ver
Num instante perdi aquilo que tanto buscava
E agora me encontro tão longe e sozinha
Daquele que, segundos atrás, em minha mão tocava
Mas reflexos de sombras passadas
Ressuscitam as esperanças quase destruídas
E aos poucos a tua existência
Em minha lembranças se mantém viva.






terça-feira, 14 de fevereiro de 2012



Amigo imaginário

À espera sempre fiquei...
De que me descobrissem,
Que me falassem de leve em brandos sussurros,
Moldando seus sorrisos infelizes.

À espera sempre fiquei...
Das boas palavras, dos agrados,
Dos doces momentos compartilhados,
Com abraços sinceros sonhei.

À espera sempre fiquei ...
Das noites acolhedoras enluaradas,
Das boas companhias cúmplices gargalhadas,
Aos rancores e mágoas ignorei.

À espera sempre fiquei...
Uma longa e contínua jornada,
Por aqueles que tenho sonhado,
E que nunca em minha vida os verei.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012



Incerto

Do que realmente ter certeza?
De viver até não mais acordar?
Da perturbadora sensação que surge...
Diante da indiferença de um olhar?


Do que realmente ter certeza?
De que tudo que existe irá se desfazer?
Um dia, talvez, num futuro próximo...
Não tão distante de se ver?

Do que realmente ter certeza?
Por que é tão difícil compreender?
Do obscuro íntimo de uma alma...
Que anceia e não consegue crer.

Acreditar apenas é o suficiente?
Mesmo que se feche os olhos e se lamente...
Diante de profundos e bizarros buracos negros
Que se abrem imponentes em sua mente.

Resta apenas sentir?
Mesmo que não se consiga resposta...
Nem saiba que caminho seguir?
O que realmente importa?

O que realmente é justo e real?
Tudo não passa de ilusão de ótica?
E novamente as incertezas voltam.
Endurecendo a alma como rochas.

Como ser diante da vida?
Arrastar-se como tartarugas durante horas...
Dizendo apenas SIM para tudo?
Ou explodir disparado, dizendo NÃO em segundos?

Quando tudo parece incerto...
E afunda-se  no lodoso pântano da desilusão
As respostas surgem sorrateiras
Acendendo tochas, suprimindo à escuridão.

Tudo parece fazer sentido agora.
A solução tão simples e óbvia
Encontrava-se todo esse tempo
No brilho de um olhar intenso de outrora.

Na pureza de um sorriso desprendido,
No alívio que abafa o gemido,
Na prece que ecoava dos lábios,
Na flor que brotava no paraíso.

O amor regenerador e hábil transforma...
 E a vida torna a fazer sentido,
O incerto se torna certo,
Levando conforto e paz aos oprimidos.